DESTAQUES

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Professora Virgínia (Português) - CONTO: A DONA DA PENSÃO

CENTRO DE ENSINO FUNDAMENTAL 17 DE TAGUATINGA

CONTO: A DONA DA PENSÃO

Billy viera de Londres no vagaroso trem vespertino, com conexão em Swindon, e quando finalmente chegou a Bath já eram cerca de nove da noite, e a lua se erguia no céu límpido e estrelado sobre as casas em frente à entrada da estação. Fazia um frio de matar, e o vento cortava seu rosto como uma lâmina de gelo.
“Perdão”, disse, “mas há algum hotel bem barato não muito longe daqui?”
“Tente o Bell and Dragon”, respondeu o porteiro, indicando a rua em frente. “Pode ser que o aceitem lá. Fica a cerca de quatrocentos metros, seguindo por aquele lado.”
Billy agradeceu, apanhou a valise e pôs-se a caminhar os quatrocentos metros até o Bell and Dragon. Nunca estivera em Bath. Não conhecia ninguém que morasse ali. Mas o sr. Greenslade do Escritório Central em Londres dissera-lhe que era uma cidade esplêndida. “Procure um lugar para ficar”, dissera, “e depois apresente-se ao gerente local assim que estiver instalado.” [...]
Não havia lojas na larga rua por onde caminhava, ladeada apenas por duas fileiras de casas altas, todas idênticas. Elas tinham alpendres, colunas e escadas de quatro ou cinco degraus que levavam até a porta de entrada, e era óbvio que, em algum tempo distante, haviam sido residências muito elegantes. Mas agora, mesmo no escuro, ele podia ver que a pintura dos batentes das portas e das janelas estava descansando e que o desleixo trouxera rachaduras e manchas às vistosas fachadas brancas.
De repente, na janela de um andar térreo iluminada intensamente pela luz de um poste a cerca de cinco metros, Billy avistou um cartaz apoiado contra o vidro de um dos painéis superiores da janela. HOSPEDARIA, dizia. Havia um vaso de flores de salgueiro, alto e elegante, bem abaixo do cartaz.
Billy parou de caminhar. Aproximou-se um pouco mais. Cortinas verdes (algum tipo de tecido aveludado) emolduravam os dois lados da janela. Os salgueiros ficavam lindos ao lado delas. Ele avançou, espiou a sala através da janela e a primeira coisa que viu foi um fogo intenso ardendo na lareira. No tapete em frente ao fogo, dormia um pequeno dachshund enrolado em si mesmo, o focinho enfiado sob a barriga. A sala em si, pelo menos até onde a penumbra lhe permitia ver, era agradavelmente mobiliada. Havia um baby grand-piano, um sofá grande e várias poltronas estofadas; e, a um canto, Billy vislumbrou um grande papagaio em uma gaiola. Animais eram geralmente um bom sinal em lugares assim, disse comigo mesmo; no fim das contas, pareceu-lhe que poderia ser uma casa bem decente onde se instalar. Certamente seria mais confortável que o Bell and Dragon.
Por outro lado, um pub seria mais conveniente que uma pensão. Haveria cereja e dardos à noite e muitas pessoas com quem conversar, e provavelmente seria também um bocado mais barato. Ele passara algumas noites em um pub certa vez e gostara da experiência. Jamais ficara em uma pensão, e, para ser perfeitamente honesto, elas lhe davam um pouquinho de medo. O próprio nome já conjurava imagens de repolho aguado, senhorias avarentas e um cheiro forte de arenque defumado na sala de estar.
Depois de refletir assim por dois ou três minutos, no frio, Billy decidiu que iria retomar a caminhada e dar uma olhada no Bell and Dragon antes de tomar uma decisão. Virou-se para ir embora.
E, então, algo esquisito aconteceu. Quando estava no ato de recuar e voltar as costas à janela, subitamente seu olhar foi atraído e capturado, de um modo muito estranho, pelo pequeno cartaz que havia ali. HOSPEDARIA, dizia. HOSPEDARIA, HOSPEDARIA, HOSPEDARIA. Cada letra era como um enorme olho negro fitando-o através do vidro, que o cativava, compelia, forçava a ficar onde estava e não abandonar aquela casa, e, antes que desse por si, ele se afastou da janela e foi em direção à porta de entrada, subiu os degraus que levavam até ela e procurou a campainha.
Tocou. Bem ao longe. Em um aposento dos fundos, ele a ouviu soar e então no mesmo instante – deve ter sido no mesmo instante porque ele nem tivera tempo de tirar o dedo do botão – a porta se escancarou e uma mulher surgiu.
Normalmente, quando se toca uma campainha, há uma espera de pelo menos meio minuto antes que a porta se abra. Mas essa senhora fora como um boneco minuto antes que a porta se abra. Mas essa senhora fora como um boneco pulando de uma caixa-surpresa. Ele tocou a campainha – e ela pulou para fora! Billy deu um salto.
Ela tinha entre quarenta e cinco e cinquenta anos e, assim que o viu, abriu um cativante sorriso de boas-vindas.
“Por favor, entre”, convidou, afavelmente. Ela se afastou, mantendo a porta escancarada, e Billy viu-se automaticamente saltando para dentro da casa. A compulsão ou, para ser mais exato, o desejo de segui-la para dentro daquela casa era extraordinariamente forte. “Eu vi o cartaz na janela”, disse, contendo-se.
“Sim, eu sei.”
“Gostaria de saber sobre o quarto.”
“Está tudo pronto para você, meu bem”, respondeu ela. Tinha um rosto oval e rosado e olhos azuis muito doces.
“Eu estava a caminho do Bell and Dragon”, disse-lhe Billy. “Mas o cartaz na sua janela acabou chamando minha atenção.”
“Meu bem”, disse ela, “por que você não entra e sai do frio?”
“Quanto a senhora cobra?”
“Cinco shillings e seis pence por noite, café da manhã incluído.
Era incrivelmente barato. Era menos da metade do que ele aceitaria pagar.
“Se for muito caro”, acrescentou, “eu talvez possa abaixar um pouquinho o preço. Você quer ovos no café da manhã? Os ovos estão muito caros ultimamente. Seriam seis pence a menos sem os ovos.”
“Cinco shillings e seis pence está ótimo”, respondeu ele. “Gostaria muito de ficar aqui.”
“Eu tinha certeza disso. Entre, vamos.”
Ela parecia extremamente bondosa. Parecia a mãe daquele melhor amigo de escola, recebendo-o em casa para passar as festas de Natal. Billy tirou o chapéu e cruzou a soleira da porta.
“Pendure-o ali”, disse ela, “e deixe-me ajudá-lo com o casaco.”
Não havia nenhum outro chapéu ou casaco no hall. Não havia nenhum guarda-chuva, nenhuma bengala- nada.
“Temos a casa inteira para nós”, disse, sorrindo para ele por sobre o ombro enquanto o conduzia ao andar de cima. “Sabe, não é sempre que tenho o prazer de receber um visitante em meu humilde ninho.”
A velhinha é meio maluca, disse Billy consigo mesmo. Mas por cinco shillings e seis pence por noite, quem é que dá a mínima? “Eu estava imaginando que a senhora deveria ter uma multidão de interessados”, disse educadamente.
“Ah, mas eu tenho, meu bem, tenho sim, claro. Mas o problema é que tenho a tendência a ser só um bocadinho de nada exigente e difícil de agradar – se é que você me entende.”
“Ah, sim.”
“Mas estou sempre pronta. Tudo nesta casa está sempre preparado, dia e noite, para a remota possibilidade de que apareça um jovem agradável como você. E é um prazer tão grande, meu bem, um prazer tão enorme quando, de vez em quando, abro a porta e vejo que está ali alguém que serve exatamente”. Ela estava no meio da escada e deteve-se com uma das mãos sobre o corrimão, virando a cabeça e sorrindo para ele com seus lábios pálidos. “Como você”, acrescentou, e seus olhos azuis passearam lentamente por todo o corpo de Billy, até os pés, depois novamente até a cabeça.
Ao chegarem ao primeiro andar, ela disse: “Esse andar é meu.”
Subiram mais um lance de escadas. “E este é todo seu”, disse. “Este é o seu quarto. Espero que goste”. Ela o conduziu até um dormitório na parte da frente da casa, pequeno mas charmoso, e acendeu a luz.
“O sol da manhã entra direto pela janela, sr. Perkins. É sr. Perkins, não é?
“Não”, respondeu. “É Weaver.”
“Sr. Weaver. Que bonito. Coloquei uma garrafa com água entre os lençóis para arejá-los, sr. Weaver. É um conforto tão grande ter uma garrafa de água quente em uma cama estranha com lençóis limpos, não acha? E você pode acender o aquecedor a gás a qualquer momento, se sentir frio.”
“Obrigado”, disse Billy. “Muitíssimo obrigado.” Ele reparou que a coberta da cama fora retirada e que os lençóis haviam sido cuidadosamente dobrados, prontos para alguém se deitar.
“Estou tão feliz que tenha aparecido”, disse ela, olhando-o fixamente. “Eu estava começando a ficar preocupada.”
“Está tudo bem”, respondeu Billy, alegremente. “A senhora não precisa se preocupar comigo.” Ele pôs a valise no chão e começou a abri-la. [...]
“Vou deixá-lo agora para que possa desfazer a mala. Mas antes de deitar, você não faria a gentileza de dar um pulinho até a sala de estar no térreo e assinar o livro? Todos têm de fazê-lo porque é a lei, e não queremos desrespeitar nenhuma lei a essa altura do processo, não é mesmo?” Ela fez um breve aceno, saiu rapidamente do quarto e fechou a porta.
Bem, o fato de que a dona da pensão parecia ter alguns parafusos a menos não incomodava Billy nem um pouco. Afinal de contas, ela não só era inofensiva – não havia dúvida nenhuma quanto a isso – mas era óbvio também que possuía uma alma boa e generosa. Ele imaginou que ela provavelmente perdera um filho na guerra, ou coisa parecida, e que nunca se recuperara.
Alguns minutos mais tarde, depois de desfazer a mala e lavar as mãos, ele desceu rapidamente até o térreo e entrou na sala de estar. A dona da pensão não estava lá, mas o fogo ardia na lareira, e em frente a ela o Dachshund ainda dormia. A sala era maravilhosamente confortável e aconchegante. “Sou um sujeito de sorte”, pensou, esfregando as mãos. “Isto aqui não é nada mau.”
Viu o livro de hóspedes aberto sobre o piano e, pegando a caneta, escreveu seu nome e endereço. Havia apenas outros dois registros acima do seu na página e, como sempre se faz com livros de hóspedes, Billy começou a lê-los. Um era Christopher Mulholland, de Cardiff. O outro era Gregory W. Temple, de Bristol.
“Engraçado”, pensou, de repente. “Christopher Mulholland. Já ouvi em algum lugar.”
Mas onde diabos ele ouvira esse nome tão incomum?
Seria um colega de escola? Não. Um dos muitos namorados de sua irmã, talvez, ou um amigo de seu pai? Não, não, não era nada disso. Ele pousou novamente os olhos sobre o livro. [...]
“Gregory Temple?”, disse em voz alta, vasculhando a memória. “Christopher Mulholland?...”
“Rapazes são charmosos”, respondeu uma voz atrás dele. Ele se voltou e viu a dona da pensão, que entrava deslizando pela sala com uma grande bandeja de chá de prata nas mãos. Ela a segurava bem distante do corpo, e bem alto, como se a bandeja fosse o par de rédeas de um cavalo arisco.
“Esses nomes me parecem familiares, de algum modo”, disse ele.
“É mesmo? Que interessante.”
“Tenho quase certeza de que já os ouvi antes, em algum lugar. Não é estranho? Talvez tenha sido no jornal. Eles não eram famosos por algum motivo, eram? Jogadores famosos de críquete ou de futebol, ou algo assim?”
“Famosos?”, disse ela, pousando a bandeja de chá na mesa baixa em frente ao sofá. “Ah, não, não creio que fossem famosos. Mas eram de uma beleza extraordinária, ambos, disso eu posso lhe assegurar. Eram ambos altos e jovens e belos, meu bem, exatamente como você.”
Uma vez mais, Billy lançou o olhar sobre o livro. “Veja aqui”, disse, observando as datas. “O último registro já tem mais de dois anos.”
“Verdade?”
“Sim, é isso mesmo. E o de Christopher Mulholland é de quase um ano antes – há mais de três anos.”
“Meu Deus!”, disse ela, balançando a cabeça e suspirando suavemente. “Eu nunca iria imaginar. Como o tempo voa para todos nós, não é verdade, sr. Wilkins?”
“É Weaver”, corrigiu Billy. “W-e-a-v-e-r.”
“Ora, claro que sim.” Exclamou, sentando-se no sofá. “Que tolice a minha. Por favor, perdoe-me. Entra por um ouvido e sai pelo outro: essa sou eu, sr. Weaver.”
“Sabe de uma coisa?”, disse Billy. “Uma coisa que é de fato absolutamente extraordinária nessa história toda?”
“Na, meu bem, não sei não.”
“Bem, veja – esses dois nomes, Mulholland e Temple, não apenas parece que me lembro de cada um deles separadamente, por assim dizer, mas de alguma forma ambos parecem estar ligados entre si, como se os dois fossem famosos pelo mesmo motivo. Não sei se a senhora está entendendo o que quero dizer – como... como Dempsey e Tunny, por exemplo, ou Churchill e Roosevelt.
“Que divertido”, disse ela. “Mas agora venha para cá, me bem, sente-se ao meu lado aqui no sofá, e vou servir-lhe uma boa xícara de chá e um biscoito de gengibre antes de você ir para a cama.”
“A senhora não deveria ter se incomodado”, disse Billy. “Eu não queria que a senhora tivesse trabalho nenhum.” De pé ao lado do piano, ele observava enquanto ela se atarantava com as xícaras e os pratos. Notou que tinha mãos pálidas e pequeninas, muito ágeis, e que tinha as unhas pintadas de vermelho.
“Tenho quase certeza de que foi no jornal que vi esses nomes”, disse Billy. “Vou me lembrar em um segundo. Tenho certeza.”
Nada é tão angustiante quanto essas coisas que, flutuando nos limites de nossa memória, escapam à nossa lembrança. Ele se recusava a desistir.
“Espere um pouco”, disse. “Espere um pouco só. Mulholland... Christopher Mulholland... não era esse o nome daquele estudante de Eton que estava fazendo uma excursão a pé pelo West Country quando subitamente...”
“Leite?”, perguntou ela. “E açúcar?”
“Sim, por favor. Quando subitamente...”
“Estudante de Eton?”, disse ela. “Ah, não, meu bem, não pode ser isso porque o sr. Mulholland certamente não era nenhum estudante de Eton quando veio até mim. Ele estudava em Cambridge. Agora venha cá, sente-se a meu lado e aqueça-se em frente a esse lindo fogo. Venha. Seu chá já está prontinho.” Ela indicou o lugar a seu lado, tocando o assento delicadamente, e sorriu para Billy, esperando que ele se aproximasse.
Ele atravessou vagarosamente a sala e sentou-se na beira do sofá. Ela pousou a xícara de chá à sua frente.
“Pronto”, disse ela. “Que gostoso e aconchegante, não é? ”
Billy começou a bebericar o chá. Ela fez o mesmo. Durante cerca de meio minuto, nenhum deles disse nada. Mas Billy sabia que ela o observava. Ela tinha o corpo meio virado em sua direção, e ele sentia os olhos dela perscrutando seu rosto, observando-o por sobre a xícara de chá. De vez em quando ele sentia, muito de leve, um aroma peculiar que parecia emanar diretamente dela. Não era nem um pouco desagradável e lembrava-lhe – bem, ele não tinha muita certeza do que é que lhe lembrava. Nozes em conserva? Couro novo? Ou seria o odor de corredores de hospital?
“O sr. Mulholland adorava chá”, disse ela, depois de um longo tempo. “Nunca, em minha vida, vi ninguém tomar tanto chá quanto meu querido, doce sr. Mulholland.”
“Suponho que ele tenha partido recentemente, disse Billy. Ele ainda se remoía, tentando se lembrar dos dois nomes. Ele agora tinha certeza que os havia visto nos jornais – nas manchetes.
“Partido?,” disse ela, arqueando as sobrancelhas. “Mas, meu querido, ele jamais partiu. Ele ainda está aqui. E o sr. Temple está aqui também. Estão no terceiro andar, os dois juntos.”
Billy pousou vagarosamente a xícara sobre a mesa e fixou o olhar sobre a dona da pensão. Ela sorriu para ele, estendendo uma de suas mãos pálidas e tocando-lhe carinhosamente o joelho. “Qual a sua idade, meu bem?”, perguntou.
“Dezessete anos.”
“Dezessete!”, exclamou ela. “Ah, é a idade perfeita! O sr. Mulholland também estava com dezessete anos. Mas creio que fosse um pouquinho mais baixo que você, na verdade tenho certeza de que era sim, e os dentes dele não eram nem de perto tão brancos quanto os seus. Você tem dentes lindíssimos, sr. Weaver, sabia disso?”
“Eles parecem melhores do que são”, respondeu Billy. “Há uma porção de obturações nos dentes do fundo.”
“O sr. Temple, claro, era um pouco mais velho”, continuou ela, ignorando o comentário. “Ele tinha na verdade vinte e oito anos. E, no entanto, eu jamais teria adivinhado se ele não me tivesse dito, nunca em minha vida inteira. Não havia uma única marca em seu corpo.”
“Uma o quê?”, perguntou Billy.
“A pele dele era igualzinha a de um bebê.”
Houve uma pausa. Billy apanhou a xícara e tomou outro gole de chá, pousando-a depois delicadamente no pires. Ele estava esperando que ela dissesse algo mais, mas parecia ter se perdido em outro de seus silêncios. Sentado ali, Billy fixou o olhar no outro lado da sala, à sua frente, mordendo os lábios.
“Aquele papagaio”, disse por fim. “Sabe de uma coisa? Enganou-me completamente quando o vi pela primeira vez através da janela. Eu jurava que ele estava vivo.”
“infelizmente, não mais.”
“É extremamente inteligente o modo como foi feito”, disse ele. “Nem parece que está morto. Quem fez?”
“Eu mesma.”
“A senhora?”
“Claro”, respondeu. “E você já conheceu também o meu Brasil?” Ela apontou com a cabeça o dachshund, enrolado tão confortavelmente em frente à lareira. Billy examinou-o com os olhos. E, subitamente, se deu conta de que o animal estivera o tempo todo, tão silencioso e imóvel quanto o papagaio. Estendeu a mão e tocou-lhe delicadamente o dorso. As costas estavam duras e frias, e, quando seus dedos afastaram os pelos para um lado, ele pôde ver a pele embaixo, enegrecida, seca e perfeitamente preservada.
“Deus do céu!”, exclamou. “Isso é absolutamente fascinante.” Desviou o olhar do cachorro e encarou com profunda admiração a pequena senhora a seu lado no sofá. “Deve ser incrivelmente difícil fazer uma coisa assim.”
“Nem um pouquinho”, respondeu ela. “Eu empalho eu mesma todos os meus animaizinhos de estimação quando eles morrem. Você aceitaria mais uma xicara de chá?”
“Não, obrigado”, disse Billy. O chá tinha um ligeiro sabor de amêndoas amargas de que não gostara muito.
“Você assinou o livro, não assinou?”
“Ah, sim.”
“Isso é ótimo. Porque daqui a algum tempo, se eu por acaso me esquecer de como você se chamava, poderei sempre vir até aqui e procurar no livro. Eu ainda o faço quase todos os dias com o sr. Mulholland e o sr... o sr...”
“Temple”, completou Billy. “George Temple. Desculpe-me perguntar, mas não houve nenhum outro hóspede aqui além deles nesses últimos dois ou três anos?”
Segurando a xicara de chá bem no alto e inclinando a cabeça ligeiramente para a esquerda, olhou para ele de soslaio e sorriu-lhe delicadamente mais uma vez.
Não, meu bem, disse. “Só você.”
Roald Dahl. A dona da pensão. In: ________________ . Beijo. São Paulo: Barracuda, 2007.

terça-feira, 13 de junho de 2017

ATIVIDADES RELACIONADAS A CIÊNCIAS 2º BIMESTRE- 2017 -PROFESSORA ANA CARLA - Atualizadas- 18/06/2017


 6ºano - 6 H e 6 I

1-Aulas e vídeos:
 *Água; 
 *Biomas Brasileiros.

Disponíveis em: https://drive.google.com/open?id=0B-NKwdA4ZRIbNVI5ZUI1dWJyS1U

2-Estudo dirigido para prova bimestral 6ºano.
 -Gabarito do estudo dirigido(postado 18/06/2017)) .



 ** LISTA DO CONTEÚDO PARA PROVA BIMESTRAL 6ºANO**

Disponível em
https://drive.google.com/open?id=0B-NKwdA4ZRIbdi00OWI2MGl0c0k


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 7º ano -  7D ao 7 H

1-Aulas:
*Terra primitiva e o tempo geológico;
* Sistemática de seres vivos (classificação); 

Disponíveis em:  https://drive.google.com/open?id=0B-NKwdA4ZRIbVkJha0lnd0VmM28

2-Estudo dirigido para prova bimestral 7 ano.
-Gabarito do estudo dirigido (postado 18/06/2017)).

Disponíveis em: https://drive.google.com/open?id=0B-NKwdA4ZRIbRGk3R2NQSE9WTEE

 ** LISTA DO CONTEÚDO PARA PROVA BIMESTRAL 7ºANO**


                       

                                                                                                                                     Bons estudos!!



quarta-feira, 26 de abril de 2017

TEXTO III 9º ANO - MATUTINO

TEXTO III
9º ANO  -  MATUTINO
Descoberto abasteceu áreas nobres do DF poupadas pelo racionamento
Volume transferido seria suficiente para atender Gama ou Guará, atingidas pelo corte de água. Racionamento no centro começa na semana que vem.
O reservatório mais atingido pela crise hídrica do Distrito Federal e hoje sob racionamento – o do Descoberto – sofreu transferência de parte da capacidade para o reservatório de Santa Maria, inicialmente poupado no corte de água. A operação ocorreu ao longo de 2016 e foi feita apesar de o Descoberto operar com níveis atípicos desde junho.
Nesta terça (21), a Caesb, responsável pelo abastecimento, anunciou que o racionamento também será adotado nas regiões do Santa Maria a partir da próxima segunda (27). O anúncio veio depois de um decreto que obrigou a empresa a reduzir a vazão nos dois reservatórios. O racionamento nas regiões do Descoberto completou um mês na última quinta (16).
Dados obtidos pelo G1 mostram que o volume retirado do Descoberto em 2016 seria suficiente para abastecer toda a população de regiões como Gama ou Guará, que tem entre 140 mil e 160 mil habitantes, e estão entre as áreas submetidas ao racionamento em vigor desde janeiro deste ano. O cálculo é feito com base no gasto médio diário de água por pessoa na cidade.
Os números indicam que o volume médio mais alto transferido do Descoberto no ano passado alcançou 30,3 milhões de litros por dia, em abril. Em junho, mês em que as perdas do reservatório começaram a se acentuar em relação às medições nos anos anteriores, o índice de transposição alcançou os 24,3 milhões de litros diários.
As datas coincidem com os períodos em que a captação no reservatório foi a mais elevada. Em abril, a vazão média mensal foi de 5.087,8 litros por segundo. Entre junho e julho, esse índice chegou a 4.912,9 litros por segundo. O recorde foi em setembro, quando o volume gasto do Descoberto foi de 5.108,9 litros por segundo.

Outro lado
Segundo a Caesb, a transferência é um procedimento “normal”, feito desde a década de 1980 porque o Santa Maria é menor e tem “uma capacidade de recuperação bem mais lenta que o Descoberto”. A empresa disse que interrompeu a operação em novembro, quando constatou o agravamento da crise hídrica na bacia.
O alerta da escassez de água, no entanto, foi dado em 2010 pelo Tribunal de Contas. Uma auditoria do órgão recomendava adoção de medidas imediatas para evitar falta d’água. Antes de ser eleito, o governador Rodrigo Rollemberg usava o Twitter para alertar sobre o risco de desabastecimento na cidade.
Para o consultor em recursos hídricos Adauto Santos, a transferência em plena crise foi preponderante para agravar a situação do Descoberto. Segundo ele, a Caesb deveria ter ampliado a captação em outra bacia, a do Torto, para não comprometer o reservatório – a medida só foi adotada após a interrupção da transposição.
“A transferência de água de um reservatório vazio para outro em plena crise só mostra que a escassez por aqui não é uma questão de clima, mas de falta de gestão", criticou Santos.
"Não há lógica em retirar água do reservatório mais afetado pela seca com a intenção de poupar o outro."
Segundo ele, a empresa decidiu ignorar deliberadamente as recomendações de mudanças na gestão hídrica. “As decisões sobre investimento no setor sempre privilegiaram as grandes obras, como a do Corumbá [que está parada por suspeita de corrupção]. De obra pequena, é mais difícil desviar dinheiro”, disse.
 Fachada do Palácio do Alvorada, em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/ Presidência da República)
Cidade dividida
O racionamento no DF começou dois meses depois da interrupção na transposição. A medida, no entanto, se restringe até agora aos dois terços da população abastecidos pelo reservatório “doador”. Por enquanto, as áreas atendidas pelo Santa Maria, que recebeu os recursos, só estão submetidas à redução de pressão. Por lá, o racionamento só começa na semana que vem.
A política adotada pelo GDF poupa do corte de água algumas das áreas mais valorizadas da cidade. Dados de 2015 mostram que um morador destas regiões chega a gastar até três vezes mais água por dia que a média da população, de 160 litros. No Lago Sul, o consumo chega a 417 litros diários por pessoa, e já foi de 932 litros em 2006.
É nesta área poupada que está localizado, por exemplo, o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Michel Temer em Brasília. Conforme mostrou oG1, o imóvel aumentou em 64% os gastos com água no ano passado, mesmo tendo ficado vazio por quatro meses no período, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
A promotora de Justiça do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira considerou a política adotada equivocada. “Já que o Descoberto passou água para abastecer essa região, o mais correto seria adotar o racionamento nos dois reservatórios. Não vejo razão para segregar a cidade dessa maneira se os sistemas operam juntos”, declarou.

Por Gustavo Aguiar, G1 DF - 21/02/2017 17h18  Atualizado 21/02/2017 19h49

TEXTO II 9º ANO – MATUTINO

TEXTO II

9º ANO – MATUTINO

ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL
Para entender a escassez de água no Brasil, é preciso considerar que existem fatores geográficos, políticos e climáticos associados a esse problema.

O Brasil passou a viver, a partir de 2014, os primeiros grandes focos daquilo que pode ser a maior crise hídrica de sua história. Com um problema grave de seca e também de gestão dos recursos naturais, o país vem apresentando níveis baixos em seus reservatórios em épocas do ano em que eles costumam estar bem mais cheios. Essa ocorrência, de certa forma, representa uma grande contradição, pois o Brasil é considerado a maior potência hídrica do planeta.
Mas se há muita água disponível no Brasil, por que está faltando água?

Para entender a questão da escassez de água no Brasil, é preciso primeiro entender algumas questões geográficas concernentes ao território nacional.

Em primeiro lugar, embora o país possua as maiores reservas de água por unidade territorial do planeta, é preciso destacar que elas estão desigualmente distribuídas no espaço geográfico brasileiro. A região Norte, notadamente a Bacia do Rio Amazonas, é aquela que possui a maior concentração de água no país, tanto pelo rio em questão quanto pela presença do Aquífero Alter do Chão, o maior em volume d'água.

Em segundo lugar, é preciso entender a questão demográfica. A maior parte da população brasileira não reside nos pontos onde a água encontra-se disponível de forma mais abundante, pois há uma concentração populacional muito elevada nas regiões Sudeste e Nordeste, respectivamente. Curiosamente, são essas as regiões cujos estados possuem os maiores históricos de secas e escassez de água ao longo do tempo.

Esse panorama contribui consideravelmente para o problema em questão, haja vista que a exploração dos recursos hídricos da Amazônia é totalmente inviável em virtude dos grandes custos de transporte e também pelos iminentes impactos naturais, que podem comprometer as reservas de água então disponíveis.
Mas isso não é tudo para entender a escassez de água no Brasil. Existem também as questões referentes à utilização e gestão dos recursos hídricos no país.

Pela Constituição Federal de 1988, cabe aos governos estaduais a missão de gerir e administrar a captação e distribuição de água, embora o governo federal também precise atuar por intermédio do fornecimento de verbas públicas e obras interestaduais. Nesse sentido, alguns governos, por questões administrativas ou até políticas, podem apresentar algumas falhas, principalmente no que se refere ao planejamento no manejo dos recursos hídricos.
No Brasil, atualmente, o estado que vem passando por maiores dificuldades éSão Paulo, o que vem atraindo uma grande atenção da mídia, pois a capital paulista, que é a área mais povoada do país, é a protagonista desse cenário. Nesse caso, uma seca total pode afetar a vida de dezenas de milhões de pessoas. O reservatório do Sistema Cantareira, o principal da cidade, vem apresentando sucessivos recordes de baixas em seu volume, o que torna o contexto em questão ainda mais desfavorável.

Além da má distribuição dos recursos hídricos e dos problemas de gestão no território nacional, o problema da escassez de água no Brasil também perpassa pelas recentes secas que vêm afetando o país. Nos últimos anos, principalmente em 2014, os níveis de precipitação ficaram muito abaixo do esperado, por isso, os reservatórios em todo país mantiveram baixas históricas, principalmente na região Sudeste.

Vale lembrar, afinal, que a falta de água no Brasil não afeta somente a disponibilidade de água tratada nas residências. As indústrias e a agricultura (os principais consumidores) são os setores que mais poderão sofrer com o problema, o que pode acarretar impactos na economia como um todo – lembrando que a maior parte das indústrias do país está justamente na região Sudeste. Além disso, cabe a ressalva de que o principal modal energético do país é hidrelétrico, que possui como ponto negativo justamente a dependência em relação à disponibilidade, de modo que uma seca extrema pode levar o país a um novo racionamento de energia, tal qual o ocorrido em 2001.


Fonte: Pena, Rodolfo F. Alves. "Escassez de água no Brasil"; Brasil Escola.

 Disponível em

TEXTO III 8º ANO - MATUTINO

TEXTO III
8º ANO - MATUTINO
CRISE HÍDRICA NO DISTRITO FEDERAL

Choveu menos que o esperado na capital federal, mas a causa principal do racionamento decretado nesta semana é a defasagem no sistema de abastecimento.

O Distrito Federal está tendo uma estação chuvosa atípica. Choveu menos que o esperado, os reservatórios que abastecem a região caíram vertiginosamente e, desde segunda-feira (16), o governo distrital decretou rodízio de água. Mas as causas do racionamento estão longe de ser meramente climáticas. Pelo contrário, elas se parecem muito com outra crise recente, a que atingiu São Paulo entre 2014 e 2015 (e ainda não está completamente resolvida). Assim como aconteceu em São Paulo, a crise hídrica na região é um problema de gestão. Aparentemente, o DF não aprendeu com os erros paulistas.
A barragem do Rio Descoberto, na BR-070,no Distrito Federal, Brasília. O nível do reservatório está abaixo dos 20% (Foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Pres)

A estiagem no Distrito Federal começou em 2016, possivelmente como resultado do forte El Niño do ano passado. Em 2015, não havia crise: os reservatórios estavam com 100% de suas capacidades, como diz o próprio presidente da Caesb, a empresa de abastecimento do DF, em artigo. Entre março e julho de 2016, todos os meses viram menos água que o comum. As chuvas começaram a se recuperar em novembro, que foi um mês dentro da média, mas dezembro ficou abaixo do esperado. O sistema de abastecimento do DF não resistiu a uma seca que dura menos de um ano.


As chuvas suprem os dois principais reservatórios do DF. O reservatório de Santa Maria atende Brasília, e está com 41% de sua capacidade. Já a represa de Descoberto é a que enfrenta o maior problema. Ela atende as cidades-satélites e está apenas com 19,4% de sua capacidade. Pela legislação do DF, o racionamento pode ser decretado quando o reservatório fica abaixo dos 20%. Por isso, segundo a Caesb, o racionamento foi decretado para as cidades mais periféricas e não para o Plano Piloto.

Juntos, Santa Clara e Descoberto cobrem 80% da população do Distrito Federal. Mas eles não são o suficiente para atender a população local. As autoridades sabem disso há algum tempo. Em 2015, ÉPOCA publicou matéria mostrando onde poderia faltar água nos anos seguintes. O DF estava no mapa. Segundo o Atlas do Abastecimento da Agência Nacional das Águas, apenas cinco das 23 cidades da região metropolitana de Brasília estão com situação segura no abastecimento. As outras 18 precisam de pelo menos R$ 862 milhões em investimentos de ampliação da estrutura de abastecimento.

Como o DF chegou a essa situação? Segundo Julio Sampaio, coordenador do programa Cerrado da ONG WWF-Brasil, a equação é simples. A população cresceu, o sistema de abastecimento não. “O caso de Brasília é muito parecido com o de São Paulo, são vários fatores similares. O principal deles é o crescimento urbano. A densidade populacional aumentou muito em Brasília, especialmente nas cidades-satélites, e a capacidade para fornecer água não acompanhou na mesma proporção”, diz.

Outro fator, na opinião de Salgado, é a integridade das bacias hidrográficas. Áreas que antes eram agrícolas e que mantinham relativa integridade de nascentes e rios foram engolidas pelo conglomerado urbano. Desmatamento de matas ciliares pode secar as nascentes e diminuir a capacidade de absorção da água que vem da chuva. “É preciso melhorar a qualidade da produção de água nas regiões que abastecem a cidade. Isso é feito com proteção e recuperação de nascentes.”

Para conter a crise, o governo do DF e a Caesb anunciaram obras e prometem investir R$ 765 milhões na ampliação dos sistemas de abastecimento. O anúncio não fala sobre medidas de conservação.

Bruno Calixto
Atualizado 18/01/2017 15h19

TEXTO II – 8º ANO – MATUTINO

TEXTO II – 8º ano – matutino


Michael Melo/Metrópoles

Crise hídrica no DF: 35% da água distribuída pela Caesb se perdem
Problema é causado por inadequações no sistema de distribuição e pelas ligações clandestinas. Por ano, 86 bilhões de litros são perdidos.

A crise hídrica que atinge o Distrito Federal chegou a um de seus pontos mais críticos com o início do racionamento em 14 regiões administrativas do DF. Diante desse quadro, um dado choca: 35% da água bombeada pela Companhia de Saneamento Básico do DF (Caesb) se perdem e não chegam ao consumidor final. Por ano, 86 bilhões de litros escapam no sistema de distribuição.
“Se tivéssemos essa água toda para distribuir, talvez o racionamento fosse mais suave. Com certeza, ia ajudar muito a situação atual”, explica a gerente de Gestão de Perdas da Caesb, Ieda Duarte. De acordo com a gestora, em cada uma das unidades consumidoras do DF são perdidos, diariamente, 396 litros de água. A quantidade quase seria suficiente para encher uma caixa d’água de 500 litros, por exemplo, em cada residência ou prédio.
As perdas de água são divididas em duas categorias: real e aparente. O primeiro grupo consiste da água realmente inutilizada durante a transmissão para as unidades consumidoras. De acordo com Ieda Duarte, esse tipo de perda é causada principalmente por problemas como a utilização de materiais de baixa qualidade e erros na construção dos sistemas de distribuição.

“Em São Sebastião, por exemplo, temos um problema de vazamento muito grande porque a rede foi construída sobre uma área de pedregulho e com canos de qualidade duvidável. Por isso, o material foi sendo perfurado e há perda de água”, explica a gestora. Ainda de acordo com Duarte, a alta pressão hídrica aumenta ainda mais o problema já que, quanto mais água é bombeada, maior é a perda.
Já as perdas aparentes são aquelas em que a água é consumida, mas não é contabilizada pela Caesb. Nessa categoria entram as ligações clandestinas e a submedição em hidrômetros. De acordo com o levantamento mais recente da empresa, existem no DF cerca de 38 mil ligações de água clandestinas. Para a gerente de Perdas, a questão também agrava a crise hídrica.
“As ligações clandestinas não causam só danos à empresa, mas também à população. Como o usuário não paga pelo consumo, ele é induzido a desperdiçar”, explica. As perdas reais representam 57% do total, enquanto as perdas aparentes são 43%.
Arte/Metrópoles

Soluções
Atualmente, as principais medidas tomadas pela Caesb para diminuir o número de perdas de água são a busca por vazamentos invisíveis e a substituição de hidrômetros. De acordo com Ieda Duarte, os aparelhos têm vida útil de cinco anos e, após esse período, passam a ter problemas de submedição de consumo.

No entanto, a gestora afirma que já foi assinado o contrato para a realização de um projeto de setorização do sistema de distribuição de água. De acordo com ela, o projeto vai atingir 67% das unidades consumidoras e deve facilitar a fiscalização de vazamentos.

“Com sistemas que têm menos ligações, é mais simples identificar e corrigir perdas. Os transtornos de desligamento da rede para a realização de reparos também serão reduzidos, já que o número de consumidores é menor”, afirma. De acordo com Ieda, a implementação do projeto deve ser finalizada até o mês de outubro de 2019.

Fonte: www.metropoles.com/distrito federal/meio ambiente
Pedro Alves -  Em 23/01/2017 16:05

TEXTO II 7º ANO - MATUTINO

TEXTO II
7º ANO -  MATUTINO

Meio ambiente: Olhares sobre a crise hídrica no Distrito Federal

Professores da UnB investigam fatores que agravaram a redução nos níveis dos mananciais dos sistemas de abastecimento da região
Serena Veloso - 16/01/2017
 “A questão do uso da água é uma equação simples de matemática: a quantidade de água no mundo é constante, só que estamos cada vez mais aumentando a população e as atividades que têm demandado água nos seus processos. Isso diminui a quantidade disponível por habitante.” Esse é o cenário previsto pelo professor Oscar de Moraes Cordeiro Netto, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos da Universidade de Brasília, para os próximos anos no Brasil e no mundo.
 Na capital federal, os indícios de uma crise de abastecimento se tornaram concretos nos últimos meses: o nível do reservatório do rio Santa Maria, que abastece o Plano Piloto e outras regiões administrativas, caiu para 43,03% de sua capacidade em outubro de 2016, e chegou a 41,1% neste mês de janeiro. Já a Barragem do Rio Descoberto, que fornece água para 65% da população do Distrito Federal, atingiu em novembro do ano passado menos de 20% de seu volume, porcentagem que levou a cidade a entrar em estado de restrição. 
 Em janeiro deste ano, o reservatório chegou ao menor nível registrado na história, com 18,94%, percentual abaixo do limite recomendado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (ADASA). Por isso, a ADASA considerou este o pior momento vivido pela capital federal nos últimos 30 anos.


Arte: Marcelo Jatobá/Secom UnB
 Um dos motivos para que se chegasse a esse cenário foi o aumento drástico no consumo nos últimos anos. Isso porque a população do Distrito Federal tem crescido em cerca de 60 mil pessoas anualmente, o que reflete diretamente no abastecimento da cidade. “Brasília tem uma situação bastante particular e crítica, com uma das maiores populações do país. Isso pressupõe um grande consumo de água para atividades associadas a um aglomerado dessa proporção”, avalia o professor Oscar de Moraes.
 A região é uma das que mais consomem água no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Em 2015, o consumo médio por habitante era de 184 litros diários, quase o dobro do que o preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a manutenção de necessidades básicas. A média nacional é de 150 litros ao dia para cada habitante.
 Segundo a ADASA, 80% do fornecimento de água feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) são destinados ao consumo residencial, o que justificaria medidas mais drásticas para redução do consumo. Essa é a explicação da companhia para ter adotado, desde o final de 2016, o aumento da tarifa para consumidores que usarem mais de 10 mil m³ de água por residência. Na última semana, também estabeleceu um plano de racionamento que afetará 15 regiões administrativas.
 Além desses elementos, a alteração nos ciclos das chuvas, a própria geografia da cidade – localizada no Planalto Central, as lacunas no sistema de captação e o mau planejamento na ocupação do solo são considerados pelo especialista como decisivos na crise hídrica. “Brasília é particularmente uma região sensível por ter longos períodos de seca, estar situada em área que só tem nascentes, não possui rios de grande volume, e por ter esse rápido crescimento da população”, comenta o professor Moraes.


Serena Veloso - 16/01/2017