DESTAQUES

quarta-feira, 26 de abril de 2017

TEXTO III 9º ANO - MATUTINO

TEXTO III
9º ANO  -  MATUTINO
Descoberto abasteceu áreas nobres do DF poupadas pelo racionamento
Volume transferido seria suficiente para atender Gama ou Guará, atingidas pelo corte de água. Racionamento no centro começa na semana que vem.
O reservatório mais atingido pela crise hídrica do Distrito Federal e hoje sob racionamento – o do Descoberto – sofreu transferência de parte da capacidade para o reservatório de Santa Maria, inicialmente poupado no corte de água. A operação ocorreu ao longo de 2016 e foi feita apesar de o Descoberto operar com níveis atípicos desde junho.
Nesta terça (21), a Caesb, responsável pelo abastecimento, anunciou que o racionamento também será adotado nas regiões do Santa Maria a partir da próxima segunda (27). O anúncio veio depois de um decreto que obrigou a empresa a reduzir a vazão nos dois reservatórios. O racionamento nas regiões do Descoberto completou um mês na última quinta (16).
Dados obtidos pelo G1 mostram que o volume retirado do Descoberto em 2016 seria suficiente para abastecer toda a população de regiões como Gama ou Guará, que tem entre 140 mil e 160 mil habitantes, e estão entre as áreas submetidas ao racionamento em vigor desde janeiro deste ano. O cálculo é feito com base no gasto médio diário de água por pessoa na cidade.
Os números indicam que o volume médio mais alto transferido do Descoberto no ano passado alcançou 30,3 milhões de litros por dia, em abril. Em junho, mês em que as perdas do reservatório começaram a se acentuar em relação às medições nos anos anteriores, o índice de transposição alcançou os 24,3 milhões de litros diários.
As datas coincidem com os períodos em que a captação no reservatório foi a mais elevada. Em abril, a vazão média mensal foi de 5.087,8 litros por segundo. Entre junho e julho, esse índice chegou a 4.912,9 litros por segundo. O recorde foi em setembro, quando o volume gasto do Descoberto foi de 5.108,9 litros por segundo.

Outro lado
Segundo a Caesb, a transferência é um procedimento “normal”, feito desde a década de 1980 porque o Santa Maria é menor e tem “uma capacidade de recuperação bem mais lenta que o Descoberto”. A empresa disse que interrompeu a operação em novembro, quando constatou o agravamento da crise hídrica na bacia.
O alerta da escassez de água, no entanto, foi dado em 2010 pelo Tribunal de Contas. Uma auditoria do órgão recomendava adoção de medidas imediatas para evitar falta d’água. Antes de ser eleito, o governador Rodrigo Rollemberg usava o Twitter para alertar sobre o risco de desabastecimento na cidade.
Para o consultor em recursos hídricos Adauto Santos, a transferência em plena crise foi preponderante para agravar a situação do Descoberto. Segundo ele, a Caesb deveria ter ampliado a captação em outra bacia, a do Torto, para não comprometer o reservatório – a medida só foi adotada após a interrupção da transposição.
“A transferência de água de um reservatório vazio para outro em plena crise só mostra que a escassez por aqui não é uma questão de clima, mas de falta de gestão", criticou Santos.
"Não há lógica em retirar água do reservatório mais afetado pela seca com a intenção de poupar o outro."
Segundo ele, a empresa decidiu ignorar deliberadamente as recomendações de mudanças na gestão hídrica. “As decisões sobre investimento no setor sempre privilegiaram as grandes obras, como a do Corumbá [que está parada por suspeita de corrupção]. De obra pequena, é mais difícil desviar dinheiro”, disse.
 Fachada do Palácio do Alvorada, em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/ Presidência da República)
Cidade dividida
O racionamento no DF começou dois meses depois da interrupção na transposição. A medida, no entanto, se restringe até agora aos dois terços da população abastecidos pelo reservatório “doador”. Por enquanto, as áreas atendidas pelo Santa Maria, que recebeu os recursos, só estão submetidas à redução de pressão. Por lá, o racionamento só começa na semana que vem.
A política adotada pelo GDF poupa do corte de água algumas das áreas mais valorizadas da cidade. Dados de 2015 mostram que um morador destas regiões chega a gastar até três vezes mais água por dia que a média da população, de 160 litros. No Lago Sul, o consumo chega a 417 litros diários por pessoa, e já foi de 932 litros em 2006.
É nesta área poupada que está localizado, por exemplo, o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Michel Temer em Brasília. Conforme mostrou oG1, o imóvel aumentou em 64% os gastos com água no ano passado, mesmo tendo ficado vazio por quatro meses no período, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
A promotora de Justiça do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira considerou a política adotada equivocada. “Já que o Descoberto passou água para abastecer essa região, o mais correto seria adotar o racionamento nos dois reservatórios. Não vejo razão para segregar a cidade dessa maneira se os sistemas operam juntos”, declarou.

Por Gustavo Aguiar, G1 DF - 21/02/2017 17h18  Atualizado 21/02/2017 19h49

TEXTO II 9º ANO – MATUTINO

TEXTO II

9º ANO – MATUTINO

ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL
Para entender a escassez de água no Brasil, é preciso considerar que existem fatores geográficos, políticos e climáticos associados a esse problema.

O Brasil passou a viver, a partir de 2014, os primeiros grandes focos daquilo que pode ser a maior crise hídrica de sua história. Com um problema grave de seca e também de gestão dos recursos naturais, o país vem apresentando níveis baixos em seus reservatórios em épocas do ano em que eles costumam estar bem mais cheios. Essa ocorrência, de certa forma, representa uma grande contradição, pois o Brasil é considerado a maior potência hídrica do planeta.
Mas se há muita água disponível no Brasil, por que está faltando água?

Para entender a questão da escassez de água no Brasil, é preciso primeiro entender algumas questões geográficas concernentes ao território nacional.

Em primeiro lugar, embora o país possua as maiores reservas de água por unidade territorial do planeta, é preciso destacar que elas estão desigualmente distribuídas no espaço geográfico brasileiro. A região Norte, notadamente a Bacia do Rio Amazonas, é aquela que possui a maior concentração de água no país, tanto pelo rio em questão quanto pela presença do Aquífero Alter do Chão, o maior em volume d'água.

Em segundo lugar, é preciso entender a questão demográfica. A maior parte da população brasileira não reside nos pontos onde a água encontra-se disponível de forma mais abundante, pois há uma concentração populacional muito elevada nas regiões Sudeste e Nordeste, respectivamente. Curiosamente, são essas as regiões cujos estados possuem os maiores históricos de secas e escassez de água ao longo do tempo.

Esse panorama contribui consideravelmente para o problema em questão, haja vista que a exploração dos recursos hídricos da Amazônia é totalmente inviável em virtude dos grandes custos de transporte e também pelos iminentes impactos naturais, que podem comprometer as reservas de água então disponíveis.
Mas isso não é tudo para entender a escassez de água no Brasil. Existem também as questões referentes à utilização e gestão dos recursos hídricos no país.

Pela Constituição Federal de 1988, cabe aos governos estaduais a missão de gerir e administrar a captação e distribuição de água, embora o governo federal também precise atuar por intermédio do fornecimento de verbas públicas e obras interestaduais. Nesse sentido, alguns governos, por questões administrativas ou até políticas, podem apresentar algumas falhas, principalmente no que se refere ao planejamento no manejo dos recursos hídricos.
No Brasil, atualmente, o estado que vem passando por maiores dificuldades éSão Paulo, o que vem atraindo uma grande atenção da mídia, pois a capital paulista, que é a área mais povoada do país, é a protagonista desse cenário. Nesse caso, uma seca total pode afetar a vida de dezenas de milhões de pessoas. O reservatório do Sistema Cantareira, o principal da cidade, vem apresentando sucessivos recordes de baixas em seu volume, o que torna o contexto em questão ainda mais desfavorável.

Além da má distribuição dos recursos hídricos e dos problemas de gestão no território nacional, o problema da escassez de água no Brasil também perpassa pelas recentes secas que vêm afetando o país. Nos últimos anos, principalmente em 2014, os níveis de precipitação ficaram muito abaixo do esperado, por isso, os reservatórios em todo país mantiveram baixas históricas, principalmente na região Sudeste.

Vale lembrar, afinal, que a falta de água no Brasil não afeta somente a disponibilidade de água tratada nas residências. As indústrias e a agricultura (os principais consumidores) são os setores que mais poderão sofrer com o problema, o que pode acarretar impactos na economia como um todo – lembrando que a maior parte das indústrias do país está justamente na região Sudeste. Além disso, cabe a ressalva de que o principal modal energético do país é hidrelétrico, que possui como ponto negativo justamente a dependência em relação à disponibilidade, de modo que uma seca extrema pode levar o país a um novo racionamento de energia, tal qual o ocorrido em 2001.


Fonte: Pena, Rodolfo F. Alves. "Escassez de água no Brasil"; Brasil Escola.

 Disponível em

TEXTO III 8º ANO - MATUTINO

TEXTO III
8º ANO - MATUTINO
CRISE HÍDRICA NO DISTRITO FEDERAL

Choveu menos que o esperado na capital federal, mas a causa principal do racionamento decretado nesta semana é a defasagem no sistema de abastecimento.

O Distrito Federal está tendo uma estação chuvosa atípica. Choveu menos que o esperado, os reservatórios que abastecem a região caíram vertiginosamente e, desde segunda-feira (16), o governo distrital decretou rodízio de água. Mas as causas do racionamento estão longe de ser meramente climáticas. Pelo contrário, elas se parecem muito com outra crise recente, a que atingiu São Paulo entre 2014 e 2015 (e ainda não está completamente resolvida). Assim como aconteceu em São Paulo, a crise hídrica na região é um problema de gestão. Aparentemente, o DF não aprendeu com os erros paulistas.
A barragem do Rio Descoberto, na BR-070,no Distrito Federal, Brasília. O nível do reservatório está abaixo dos 20% (Foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Pres)

A estiagem no Distrito Federal começou em 2016, possivelmente como resultado do forte El Niño do ano passado. Em 2015, não havia crise: os reservatórios estavam com 100% de suas capacidades, como diz o próprio presidente da Caesb, a empresa de abastecimento do DF, em artigo. Entre março e julho de 2016, todos os meses viram menos água que o comum. As chuvas começaram a se recuperar em novembro, que foi um mês dentro da média, mas dezembro ficou abaixo do esperado. O sistema de abastecimento do DF não resistiu a uma seca que dura menos de um ano.


As chuvas suprem os dois principais reservatórios do DF. O reservatório de Santa Maria atende Brasília, e está com 41% de sua capacidade. Já a represa de Descoberto é a que enfrenta o maior problema. Ela atende as cidades-satélites e está apenas com 19,4% de sua capacidade. Pela legislação do DF, o racionamento pode ser decretado quando o reservatório fica abaixo dos 20%. Por isso, segundo a Caesb, o racionamento foi decretado para as cidades mais periféricas e não para o Plano Piloto.

Juntos, Santa Clara e Descoberto cobrem 80% da população do Distrito Federal. Mas eles não são o suficiente para atender a população local. As autoridades sabem disso há algum tempo. Em 2015, ÉPOCA publicou matéria mostrando onde poderia faltar água nos anos seguintes. O DF estava no mapa. Segundo o Atlas do Abastecimento da Agência Nacional das Águas, apenas cinco das 23 cidades da região metropolitana de Brasília estão com situação segura no abastecimento. As outras 18 precisam de pelo menos R$ 862 milhões em investimentos de ampliação da estrutura de abastecimento.

Como o DF chegou a essa situação? Segundo Julio Sampaio, coordenador do programa Cerrado da ONG WWF-Brasil, a equação é simples. A população cresceu, o sistema de abastecimento não. “O caso de Brasília é muito parecido com o de São Paulo, são vários fatores similares. O principal deles é o crescimento urbano. A densidade populacional aumentou muito em Brasília, especialmente nas cidades-satélites, e a capacidade para fornecer água não acompanhou na mesma proporção”, diz.

Outro fator, na opinião de Salgado, é a integridade das bacias hidrográficas. Áreas que antes eram agrícolas e que mantinham relativa integridade de nascentes e rios foram engolidas pelo conglomerado urbano. Desmatamento de matas ciliares pode secar as nascentes e diminuir a capacidade de absorção da água que vem da chuva. “É preciso melhorar a qualidade da produção de água nas regiões que abastecem a cidade. Isso é feito com proteção e recuperação de nascentes.”

Para conter a crise, o governo do DF e a Caesb anunciaram obras e prometem investir R$ 765 milhões na ampliação dos sistemas de abastecimento. O anúncio não fala sobre medidas de conservação.

Bruno Calixto
Atualizado 18/01/2017 15h19

TEXTO II – 8º ANO – MATUTINO

TEXTO II – 8º ano – matutino


Michael Melo/Metrópoles

Crise hídrica no DF: 35% da água distribuída pela Caesb se perdem
Problema é causado por inadequações no sistema de distribuição e pelas ligações clandestinas. Por ano, 86 bilhões de litros são perdidos.

A crise hídrica que atinge o Distrito Federal chegou a um de seus pontos mais críticos com o início do racionamento em 14 regiões administrativas do DF. Diante desse quadro, um dado choca: 35% da água bombeada pela Companhia de Saneamento Básico do DF (Caesb) se perdem e não chegam ao consumidor final. Por ano, 86 bilhões de litros escapam no sistema de distribuição.
“Se tivéssemos essa água toda para distribuir, talvez o racionamento fosse mais suave. Com certeza, ia ajudar muito a situação atual”, explica a gerente de Gestão de Perdas da Caesb, Ieda Duarte. De acordo com a gestora, em cada uma das unidades consumidoras do DF são perdidos, diariamente, 396 litros de água. A quantidade quase seria suficiente para encher uma caixa d’água de 500 litros, por exemplo, em cada residência ou prédio.
As perdas de água são divididas em duas categorias: real e aparente. O primeiro grupo consiste da água realmente inutilizada durante a transmissão para as unidades consumidoras. De acordo com Ieda Duarte, esse tipo de perda é causada principalmente por problemas como a utilização de materiais de baixa qualidade e erros na construção dos sistemas de distribuição.

“Em São Sebastião, por exemplo, temos um problema de vazamento muito grande porque a rede foi construída sobre uma área de pedregulho e com canos de qualidade duvidável. Por isso, o material foi sendo perfurado e há perda de água”, explica a gestora. Ainda de acordo com Duarte, a alta pressão hídrica aumenta ainda mais o problema já que, quanto mais água é bombeada, maior é a perda.
Já as perdas aparentes são aquelas em que a água é consumida, mas não é contabilizada pela Caesb. Nessa categoria entram as ligações clandestinas e a submedição em hidrômetros. De acordo com o levantamento mais recente da empresa, existem no DF cerca de 38 mil ligações de água clandestinas. Para a gerente de Perdas, a questão também agrava a crise hídrica.
“As ligações clandestinas não causam só danos à empresa, mas também à população. Como o usuário não paga pelo consumo, ele é induzido a desperdiçar”, explica. As perdas reais representam 57% do total, enquanto as perdas aparentes são 43%.
Arte/Metrópoles

Soluções
Atualmente, as principais medidas tomadas pela Caesb para diminuir o número de perdas de água são a busca por vazamentos invisíveis e a substituição de hidrômetros. De acordo com Ieda Duarte, os aparelhos têm vida útil de cinco anos e, após esse período, passam a ter problemas de submedição de consumo.

No entanto, a gestora afirma que já foi assinado o contrato para a realização de um projeto de setorização do sistema de distribuição de água. De acordo com ela, o projeto vai atingir 67% das unidades consumidoras e deve facilitar a fiscalização de vazamentos.

“Com sistemas que têm menos ligações, é mais simples identificar e corrigir perdas. Os transtornos de desligamento da rede para a realização de reparos também serão reduzidos, já que o número de consumidores é menor”, afirma. De acordo com Ieda, a implementação do projeto deve ser finalizada até o mês de outubro de 2019.

Fonte: www.metropoles.com/distrito federal/meio ambiente
Pedro Alves -  Em 23/01/2017 16:05

TEXTO II 7º ANO - MATUTINO

TEXTO II
7º ANO -  MATUTINO

Meio ambiente: Olhares sobre a crise hídrica no Distrito Federal

Professores da UnB investigam fatores que agravaram a redução nos níveis dos mananciais dos sistemas de abastecimento da região
Serena Veloso - 16/01/2017
 “A questão do uso da água é uma equação simples de matemática: a quantidade de água no mundo é constante, só que estamos cada vez mais aumentando a população e as atividades que têm demandado água nos seus processos. Isso diminui a quantidade disponível por habitante.” Esse é o cenário previsto pelo professor Oscar de Moraes Cordeiro Netto, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos da Universidade de Brasília, para os próximos anos no Brasil e no mundo.
 Na capital federal, os indícios de uma crise de abastecimento se tornaram concretos nos últimos meses: o nível do reservatório do rio Santa Maria, que abastece o Plano Piloto e outras regiões administrativas, caiu para 43,03% de sua capacidade em outubro de 2016, e chegou a 41,1% neste mês de janeiro. Já a Barragem do Rio Descoberto, que fornece água para 65% da população do Distrito Federal, atingiu em novembro do ano passado menos de 20% de seu volume, porcentagem que levou a cidade a entrar em estado de restrição. 
 Em janeiro deste ano, o reservatório chegou ao menor nível registrado na história, com 18,94%, percentual abaixo do limite recomendado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (ADASA). Por isso, a ADASA considerou este o pior momento vivido pela capital federal nos últimos 30 anos.


Arte: Marcelo Jatobá/Secom UnB
 Um dos motivos para que se chegasse a esse cenário foi o aumento drástico no consumo nos últimos anos. Isso porque a população do Distrito Federal tem crescido em cerca de 60 mil pessoas anualmente, o que reflete diretamente no abastecimento da cidade. “Brasília tem uma situação bastante particular e crítica, com uma das maiores populações do país. Isso pressupõe um grande consumo de água para atividades associadas a um aglomerado dessa proporção”, avalia o professor Oscar de Moraes.
 A região é uma das que mais consomem água no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Em 2015, o consumo médio por habitante era de 184 litros diários, quase o dobro do que o preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a manutenção de necessidades básicas. A média nacional é de 150 litros ao dia para cada habitante.
 Segundo a ADASA, 80% do fornecimento de água feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) são destinados ao consumo residencial, o que justificaria medidas mais drásticas para redução do consumo. Essa é a explicação da companhia para ter adotado, desde o final de 2016, o aumento da tarifa para consumidores que usarem mais de 10 mil m³ de água por residência. Na última semana, também estabeleceu um plano de racionamento que afetará 15 regiões administrativas.
 Além desses elementos, a alteração nos ciclos das chuvas, a própria geografia da cidade – localizada no Planalto Central, as lacunas no sistema de captação e o mau planejamento na ocupação do solo são considerados pelo especialista como decisivos na crise hídrica. “Brasília é particularmente uma região sensível por ter longos períodos de seca, estar situada em área que só tem nascentes, não possui rios de grande volume, e por ter esse rápido crescimento da população”, comenta o professor Moraes.


Serena Veloso - 16/01/2017

TEXTO I 7º - 8º e 9º ANOS – MATUTINO

TEXTO I
7º - 8º e 9º ANOS – MATUTINO

http://www.jardimdeflores.com.br/ECOLOGIA/JPEGS/A13agua1.jpg




Verdades que você precisa saber sobre a água


Embora 70% da superfície da Terra seja coberta de água, menos de 1% desses recursos estão disponíveis para consumo humano. Ainda que essa pequena parcela seja mais do que suficiente para suprir as necessidades dos 7,2 bilhões de habitantes do planeta, cerca de 40% da população mundial não tem acesso à água de qualidade. Consequentemente, mais de 5 milhões de crianças morrem anualmente de doenças disseminadas pela água.
O Brasil é um dos países onde estão as maiores reservas de água potável do mundo. Mas, ao mesmo tempo, o país consta também da lista daqueles onde se registram os mais altos índices de desperdício. De acordo com o relatório da última reunião do Parlamento Latino Americano, realizada em 2003 no México, o Brasil desvia 40% da água potável destinada para o consumo humano. A média considerada ideal pela ONU - Organização das Nações Unidas é de 20%. Na América Latina, apenas Argentina e Chile apresentam índices menores.
O Brasil possui uma das maiores reservas hídricas do mundo, concentrando cerca de 15% da água doce superficial disponível no planeta. Mas o contraste na distribuição é enorme:
A região Norte, com 7% da população, possui 68% da água do País, enquanto o Nordeste, com 29% da população, possui 3%, e o Sudeste, com 43% da população, conta com 6%.
Além disso, problemas como o desmatamento das nascentes e a poluição dos rios agravam a situação. Em consequência, 45% da população não tem acesso aos serviços de água tratada e 96 milhões de pessoas vivem sem esgoto sanitário. (Fonte: Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente)
A agricultura é o setor que mais consome água no país, cerca de 59%. O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último com 19% do consumo. Projeções feitas por cientistas calculam que em 2025, cerca de 2,43 bilhões de pessoas estarão sem acesso à água. O desperdício é outro grande problema. Na verdade, é uma das causas para escassez. No Brasil 40% da água tratada fornecida aos usuários é desperdiçada.
Outros dados:
  1. 65% das internações hospitalares no país, principalmente de crianças, são causadas por doenças de veiculação hídrica.
  2. Diarreia e as infecções parasitárias estão em segundo lugar como maior causa de mortalidade infantil no Brasil.
  3. Apesar dos esforços, são poucas as indústria brasileiras que tratam seus despejos antes de devolvê-los à natureza.
  4. Apesar de toda energia gerada pelas gigantescas hidrelétricas do São Francisco, ainda hoje 35% da população rural dessa região não possui energia elétrica em seus domicílios.
  5. São Paulo e algumas outras cidades do globo têm uma descarga de efluentes do mesmo volume que o fluxo natural dos rios que as atravessam.
Água não é só uma mera substância química formada por átomos de hidrogênio e oxigênio. Nela surgiu a primeira forma de vida do planeta há milhões de anos; dela o processo evolutivo caminhou até formar nossa espécie, e continua a manter toda a diversidade que conhecemos.
"Terra, planeta água”:Nenhuma frase é tão verdadeira quanto essa, se pensarmos que 3/4 da superfície do nosso mundo são cobertos por água, sendo 97% salgada, e apenas 3% doce. Contudo, do percentual total da água doce existente, a maior parte encontra-se sob a forma de gelo nas calotas polares e geleiras, parte é gasosa e parte é líquida - representada pelas fontes subterrâneas e superficiais. Já os rios e lagos, que são nossas principais formas de abastecimento, correspondem a apenas 0,01% desse percentual, aproximadamente.
Na Terra tudo é mantido graças à presença desse líquido vital: nossas cidades, nossas indústrias, nossas plantações, e, mesmo o oxigênio que respiramos, cerca de 70% dele, vem das microscópicas algas habitantes dessa enorme massa formada por rios, lagos e oceanos.  

Fonte com adaptações: http://www.jardimdeflores.com.br/ECOLOGIA/A27verdadesdaagua.htm

TEXTO II 7º ANO – VESPERTINO

TEXTO II
7º ANO – VESPERTINO

Meio ambiente: Olhares sobre a crise hídrica no Distrito Federal

Professores da UnB investigam fatores que agravaram a redução nos níveis dos mananciais dos sistemas de abastecimento da região
Serena Veloso - 16/01/2017
 “A questão do uso da água é uma equação simples de matemática: a quantidade de água no mundo é constante, só que estamos cada vez mais aumentando a população e as atividades que têm demandado água nos seus processos. Isso diminui a quantidade disponível por habitante.” Esse é o cenário previsto pelo professor Oscar de Moraes Cordeiro Netto, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos da Universidade de Brasília, para os próximos anos no Brasil e no mundo.
 Na capital federal, os indícios de uma crise de abastecimento se tornaram concretos nos últimos meses: o nível do reservatório do rio Santa Maria, que abastece o Plano Piloto e outras regiões administrativas, caiu para 43,03% de sua capacidade em outubro de 2016, e chegou a 41,1% neste mês de janeiro. Já a Barragem do Rio Descoberto, que fornece água para 65% da população do Distrito Federal, atingiu em novembro do ano passado menos de 20% de seu volume, porcentagem que levou a cidade a entrar em estado de restrição. 
 Em janeiro deste ano, o reservatório chegou ao menor nível registrado na história, com 18,94%, percentual abaixo do limite recomendado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (ADASA). Por isso, a ADASA considerou este o pior momento vivido pela capital federal nos últimos 30 anos.


Arte: Marcelo Jatobá/Secom UnB
 Um dos motivos para que se chegasse a esse cenário foi o aumento drástico no consumo nos últimos anos. Isso porque a população do Distrito Federal tem crescido em cerca de 60 mil pessoas anualmente, o que reflete diretamente no abastecimento da cidade. “Brasília tem uma situação bastante particular e crítica, com uma das maiores populações do país. Isso pressupõe um grande consumo de água para atividades associadas a um aglomerado dessa proporção”, avalia o professor Oscar de Moraes.
 A região é uma das que mais consomem água no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Em 2015, o consumo médio por habitante era de 184 litros diários, quase o dobro do que o preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a manutenção de necessidades básicas. A média nacional é de 150 litros ao dia para cada habitante.
 Segundo a ADASA, 80% do fornecimento de água feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) são destinados ao consumo residencial, o que justificaria medidas mais drásticas para redução do consumo. Essa é a explicação da companhia para ter adotado, desde o final de 2016, o aumento da tarifa para consumidores que usarem mais de 10 mil m³ de água por residência. Na última semana, também estabeleceu um plano de racionamento que afetará 15 regiões administrativas.
 Além desses elementos, a alteração nos ciclos das chuvas, a própria geografia da cidade – localizada no Planalto Central, as lacunas no sistema de captação e o mau planejamento na ocupação do solo são considerados pelo especialista como decisivos na crise hídrica. “Brasília é particularmente uma região sensível por ter longos períodos de seca, estar situada em área que só tem nascentes, não possui rios de grande volume, e por ter esse rápido crescimento da população”, comenta o professor Moraes.

Serena Veloso - 16/01/2017